Nunca comi, mas não gosto

Por : | 0 Comentários | em : 05/11/2013 | Categoria: : Crônicas

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Quando a Claire me convidou pra escrever uma coluna em seu novo site de culinária, fiquei receosa, afinal, não tenho lá um grande leque de receitas testadas. Ela, no entanto, me esclareceu que não seria pra falar sobre receitas, mas sobre a relação das pessoas com a comida, com um toque pessoal. Ficou mais fácil, tendo em vista que adoro falar sobre pessoas e contar meus “causos”.

 Então, para começo de conversa, vou contar um pouco sobre mim e minha relação com a comida. Eu me chamo Manuela do Vale, tenho quase 30 anos, sou advogada, tenho um filho de um ano e meio, sempre esqueço de colocar açúcar no mingau dele (mas quando contei isso pra pediatra ela achou bom), tenho um caderno de receitas limitado e até bem pouco tempo atrás eu era uma “chata pra comer” (ok, ainda sou um pouco, mas já melhorei consideravelmente).

 Conta a minha mãe que quando eu era bebê comia de tudo e de repente, não mais que de repente, adotei o estilo “nunca comi, mas não gosto”. Certa vez em uma colônia de férias da empresa em que meu pai trabalha a recreadora foi alertá-lo chocada que todos os dias na hora do almoço eu só comia o arroz. Com certeza eu deveria ter olhado a aparência da comida e ter achado tudo muito esquisito.

 Durante anos meus pratos em restaurantes variaram entre arroz, feijão, bife, batata frita e farofa e macarrão a bolonhesa. Tirava o picles do hambúrguer e quase todos os ingredientes da pizza portuguesa. Se tivesse bacon eu não comia, se tivesse azeitona eu não comida. Se eu chegasse do colégio em casa e o almoço fosse algo que eu não gostava, trocava facilmente por um belo pacote de Passatempo Recheado.

 É claro que essa enorme restrição alimentar se limitava apenas aos pratos salgados, porque na hora dos doces nunca tive frescura nenhuma, principalmente se tivesse chocolate ou sorvete no meio!

 Assim eu cheguei à vida adulta. Uma vez um colega de trabalho pra me implicar disse que eu só comia “10 itens”, não importa em qual restaurante nós fôssemos.

 Eu não saberia dizer o momento exato em que isso começou a mudar. Talvez por muita insistência das pessoas pra que eu me abrisse pra novos sabores, talvez por vontade de conhecer novos sabores mesmo ou até por talvez estar começando a perder esse paladar infantil que me acompanhou por quase a vida toda, mas a verdade é que hoje, com quase 30 anos, tenho me permitido experimentar mais, dar mais chance a temperos diferentes, saladas exóticas (afinal, também não é possível continuar comendo besteiras e achar que vamos ter o metabolismo dos 18 pra sempre) e até a me arriscar mais na cozinha pra felicidade da minha família que já estava achando que isso era causa perdida. rs.

Manuela do Vale

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